quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Estrelinhas da Quinta



Desde 5 de Novembro que a Quinta da Serra já tem uma creche. Chama-se Estrelinhas da Quinta, acolhe crianças dos três meses aos cinco ano e foi criada a partir de um projecto concebido por Matusende Mendes, uma jovem de 27 anos, natural da Guiné-Bissau e residente no bairro, que se licenciou em Serviço Social na Escola Superior de Educação de Leiria.
A ideia de abrir um espaço para crianças do bairro de modo a facilitar a vida dos que trabalham surgiu à Mati a partir do projecto final de licenciatura. Quando decidiu o que queria fazer, procurou a Floresbela Pinto, presidente da associação dos moradores do bairro, e as Irmãzinhas de Jesus. Todos acharam que era uma ideia fantástica.
Começou por fazer um levantamento das necessidades, através de inquéritos a 50 famílias, que revelaram sentir falta de uma creche a funcionar dentro do bairro. As famílias disseram ainda que as crianças costumam ficar em casa com pessoas mais velhas, irmãos ou simplesmente na rua, sozinhas, sob o olhar dos vizinhos.
Para que a creche abrisse foi preciso criar condições na sede da Associação Sócio-cultural da Quinta da Serra, a qual passou por uma remodelação conseguida devido aos apoios de muitas pessoas e voluntários que nos seus tempos livres colaboraram na iniciativa desta jovem muito determinada.
“Todas as despesas das obras e remodulação do espaço foi suportada pela associação e com a ajuda de amigos”, explica Mati.Sendo a associação a entidade promotora, foi a falta de apoios financeiros o impedimento a que creche abrisse as portas a mais tempo. “ Temos sentido muita falta de apoios, a remodulação do espaço foi feito com ofertas de dinheiros por pessoas amigas e exteriores ao bairro”, reitera.
O horário de funcionamento da creche “Estrelinhas da Quinta” tem um período alargado a pensar nas mães que trabalham até mais tarde. Sendo a entrada entre as 8h e as 9h30, a saída é as 16h, com possibilidade de prolongamento até às 20h. As mensalidades diferem, naturalmente, em função disso tendo o horário normal uma mensalidade de 85€ e o horário alargado, 125€ já com os seguros incluídos.
De momento são os pais que garantem as refeições e a associação apenas oferece o lanche. Futuramente a creche pensa fazer uma parceria com o Banco Alimentar Contra a Fome para que haja apoio na confecção dos alimentos. “Uma das barreiras que de momento impede os pais de inscrever as crianças é o facto de terem que trazer o almoço de casa”.
Em relação as actividades dsenvolvidas incluem-se actividades livres e lúdico-pedagógicas. No futuro pensa-se desenvolver aulas de danças com as crianças.
As duas auxiliares que também abraçaram este projecto da Matusende têm formação na área de acção educativa e fizeram um estágio de duas semanas no Colégio da Nossa Senhora da Purificação na Portela. Devido às dificuldades que a associação enfrenta, os seus ordenados serão pagos com o dinheiro das mensalidades. Esta é, de momento a grande preocupação da Mati: “Estou realmente preocupada com esse assunto porque estavam inscritas dez crianças e neste momento só temos três crianças a frequentar. No final do mês teremos de fazer uma ginástica para pagar os salários”.
Sendo ela própria uma voluntária e não recebendo nada pelo trabalho que tem estado a desenvolver espera que o projecto possa candidatar-se aos apoios da Segurança Social mas primeiro é preciso terminar os trabalhos de remodulação do espaço, assim como as casas de banhos adaptadas para as crianças. “Precisamos de criar condições para poder pedir apoios à Segurança Social e como a associação só por si não tem dinheiro isso torna as coisas ainda mais complicadas”.




Surraia Correia

Famílias recebem cabazes oferecidos pelas escolas



No dia 19 de Dezembro, o À Bolina fez a entrega dos cabazes de Natal à seis famílias residentes do bairro da Quinta da Serra. Dos quatro cabazes oferecidos pela escola secundária Bartolomeu Dias, dois foram especialmente para as famílias escolhidas pela escola e o restante foi para as famílias que o conciderou mais necessitadas.
Para representar a escola tivemos a presença da professora Silvia Baptista que entregou os cabazes aos familiares dos alunos.
O cabaz de Natal oferecido ao projecto pela escola Delfim dos Santos, onde o nosso amigo Junilto Netchemo estuda, também foi destribuida para mais duas famílias.
Foi bom ver que o À Bolina conseguiu fazer uma diferança no Natal destas famílias cujos alunos são os que contribuem para que o trabalho do projecto tenha mérito.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

N`tchanha

Esta é uma história da Guiné - Bissau e quero partilhar com os meus leitores.

Era uma vez um homem que tinha duas mulheres e quando uma morreu a filha desta ficou com a madrasta e os seus irmãos. A madrasta não gostava dela e por isso obrigava-a a fazer todo o trabalho lá em casa enquanto as suas irmãs brincavam.
Certo dia em que a rapariga foi à fonte buscar água partiu a bilha. Quando voltou para a casa, contou à madrasta o que tinha sucedido e esta, furiosa, ralhou com ela dizendo-lhe que arranjasse uma outra bilha nem que para tal morresse tal como a sua mãe. Então a menina saiu à procura de uma mulher que costumava fazer bilhas para vender.
Pelo caminho, ia a cantar: N´tchanha, n´tchanha.
Cilorabinta.
N´tchanha, n´tchanha.
Cilorabinta.
Ntchanha massacunda
Cilorabinta.
Ntchanha massacunda
Cilorabinta.
Tété té cilorabinta.
Tété té cilorabinta.
Enquanto ia a cantar encontrou um leão e perguntou-lhe se sabia onde era a casa da tal senhora. O leão disse-lhe para seguir o caminho em frente. Até que encontrou um macaco que lhe disse o mesmo e depois uma gazela que também disse para seguir aquele caminho.
A rapariga continuou a caminhar até encontrar uma senhora que tomava banho numa lagoa. A mulher pediu que lhe esfregasse as costas e quando o fez cortou-se toda nas mãos porque as costas da mulher eram de ostras. A senhora disse-lhe para bater as mãos na água. Assim fez e as feridas sararam.
A seguir a senhora disse à menina para ir para casa com ela, esmagar arroz, cozinhar e comer. Assim fez e a mulher, que era uma feiticeira serpente, disse-lhe que a iria transformar numa agulha e colocá-la em cima do telhado porque os filhos estavam a regressar da lagoa e poderiam comê-la.
Quando chegaram, os meninos comeram o arroz e quando começaram a sentir cheiro de pessoa humana disseram à mãe. Esta disfarçou dizendo que não havia ninguém em casa e mandou-os de novo para a lagoa.
A mulher voltou a transformar a menina em ser humano e deu-lhe três ovos. Disse-lhe que no caminho para casa deveria parti-los sempre no final de cada canção. Deveria cantar seis vezes cada uma e só no último ovo é que poderia olhar para trás.
Obediente, a rapariga fez tudo o que a feiticeira lhe disse e quando olhou para trás viu uma casa enorme, bonita e com muitas coisas. A rapariga pegou numa bilha, foi para casa e deu-a à madrasta.
Com raiva por ela ter conseguido voltar, trazendo uma bilha, a madrasta ficou cheia de ciúmes e resolveu mandar a sua filha fazer o mesmo caminho para ver se conseguia uma casa como a da sua meia-irmã.
Quando ela começou a fazer o mesmo percurso, encontrou uma serpente a tomar banho. Esta pediu-lhe que lhe esfregasse as costas mas a rapariga respondeu:
-O quê? Em casa não costumo esfregar as costas da minha mãe. Então porque é que haveria de esfregar as suas?
Pediu-lhe então para irem para casa, cozinhar arroz. A menina respondeu:
-O quê? Em casa não cozinho e nem faço nada.
Mais tarde, a feiticeira disse que ia transformá-la em agulha mas ela também não quis.
Como não conseguiu transformar a rapariga em agulha, a feiticeira escondeu-a atrás da porta para que os seus filhos não a comessem. Quando estes regressaram, comentaram com a mãe que sentiam cheiro de carne humana mas ela conseguiu enganá-los e voltaram para a lagoa.
Então a feiticeira deu três ovos para a rapariga e explicou-lhe o que fazer com elas enquanto voltava para casa. Teimosa como era, a moça não seguiu as recomendações e assim que foi lavar os pés na lagoa, foi imediatamente picada pelas serpentes e morreu.

Apresentação de Boas Práticas no Acolhimento e Integração de Imigrantes

No próximo dia 18 de Dezembro, no âmbito das Comemorações do dia Internacional dos Migrantes,irá realizar-se um seminário de apresentação dos principais resultados do Mapeamento de Boas Práticas no Acolhimento e Integração de Imigrantes em Poprtugal. O encontro será na fundação Calouste Gulbenkian.
Com o objectivo de disponibilizar exemplos concretos de práticas, programas e medidas com vista à integração de imigrantes, a Organização Internacional das Migrações, o Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural e a Fundação Luso – Americana para o Desenvolvimento, promoveram ao longo deste ano a iniciativa do Mapeamento de Boas Práticas no Acolhimento e Integração dos Imigantes em Portugal.
Muitas instituições e entidades desenvolvem trabalhos que directa e indirectamente contribuem para uma melhor integração dos imigrantes na sociedade portuguesa.
Este manual visa facultar e trocar informação, promover iniciativas políticas de integração e apoiar os Estados membros da União Europeia com exemplos concretos de práticas de integração com vista a uma integração de maior sucesso na Europa.
Constacta-se ainda, que esta iniciativa prova aquilo que se tem vindo a desenvolver a nível Europeu, ao pretender fazer o reconhecimento dos trabalhos desenvolvidos por profissionais de diversos sectores de actividades na área do acolhimento e integração dos imigrantes em Portugal.

Texto: Surraia Correia

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Imigrantes e Comunicação Social : uma relação de desconfiança


Decorreu entre os dias 21 a 24 de Novembro, uma formação organizada pelo Gabinete de Apoio às Associações de Imigrantes ( GATAI ) sobre como os imigrantes devem lidar com os orgãos de comunicação social. A formação “Imigração e Diálogo com a Imprensa” teve lugar nas instalações do ACIDI no horário pós-laboral.
Destinada às associações de imigrantes e a outros técnicos, está formação pretendeu sobretudo dar a conhecer aos participantes as principais características dos meios de Comunicação Social em Portugal e formas de actuação. Serviu também para que os participantes saibam falar e lidar com os média quando abordados, sem que saiam prejudicados ou mal intendidos.Isto porque muitas vezes, quando um imigrante é entrevistado ou sempre que é notícia é quase sempre tratado pela forma que mais convém ao jornalista e ao orgão que ele representa.
Em Portugal particularmente, os imigrantes são tratados muitas vezes sem direito a resposta e como pobres e coitadinhos. Alguns jornalistas tratam a informação da forma que lhe permita ganhar mais audiência e dinheiro.
Também existem momentos em que um imigrante se torna notícia, capa e manchete dos jornais e revistas: È quando são descendentes de imigrantes ou naturalizados, que de algum modo foram importantes para o país. São situações em que tiveram sucesso e levaram o nome de Portugal para fora. Mas estes momentos acontecem excepcionalmente no mundo desportivo e aí nem são referidos como cidadão imigrante, mas sim um português ou um herói nacional.
Esta relação pouco clara e nem sempre objectiva resulta do trabalho do jornalista feito na sua redacção, sem estar no terreno para contactar com as pessoas. Por sua vez os imigrantes optam por uma atitude defensiva e isto acaba por gerar situações pouco agradáveis para ambos.
Deste modo,acabam por passar uma imagem negativa face a situação dos imigrantes. Resta a sociedade aceitar aquilo que a comunicação social lhe apresenta como sendo as informações verdadeiras, visto que é líder na formação de opiniões sobre temas e situações.
Isso leva a que se faça uma generalização dos casos sem que se tome cada notícia em particular ou o entrevistado como um indivíduo.

Contudo o país continua inclusivé, a ter uma mão - de - obra activa fortemente dominada por imigrantes que trabalham muito, com horários desgastantes, contribuindo para a economia e desenvolvimento do país. E o que acontece muitas vezes é que esses imigrantes acabam por ser julgados na praça pública sem direito de resposta e aí já não se lembram daqueles que fizeram e fazem coisa positivas para a evolução do país.
Relativamente ao conteúdo das matérias dadas ao longo desses dias, é de referir a importância do Princípio Fundamental da Teoria Geral da comunicação que foi abordada como sendo o início para qualquer comunicação.
Aquilo que ficou claro para os participantes, foi que para comunicar temos que ter factos e ou acontecimentos e só então poderão conseguir trazer os media até eles. No caso dos imigrantes em Portugal aquilo que acontece é que muitos dos factos costumam estar associados à coisas maus, que apenas contribuem para denegridir a imagem desses imigrantes, que depois nem conseguem ter oportunidade para dar uma resposta face à notícia.
È a partir dos factos que o jornalista vai produzir a notícia, esta depois se torna numa imagem que por sua vez produz no público uma opinião multiplicada.
Sabendo que a opinião do público tende a multiplicar-se rapidamente deviso ao modo como o jornalista avalia os factos, foi sugerida aos participantes que quando abordados por orgãos sociais tenham muito cuidado e informar pela positiva, de forma que lhes seja favorável e ainda ter atenção à linguagem usada. Para isto tudo requer-se muita técnica e cuidado para que não sejam mal intendidos.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Na caminhada para a construção das pontes


No passado dia 25 a 28 de Outubro, realizou-se o segundo encontro dos Jovens Líderes Descendentes de Imigrantes, na Azaruja, Évora.
O grupo informal para a inclusão dos descendentes de imigrantes reuniu-se mais uma vez para falar sobre questões relaccionadas com a integração dos jovens e como ultrapassar os conflitos que vão surgindo.
Desta vez, a questão do lóbi, abordada segundo os especialistas na matéria, Ana Felgueiras e Luís Castanheira Pinto, da Inducar, foi uma das ferramentas para os futuros trabalhos que os jovens possam vir a desenvolver no seio da sociedade e quando opurtuno nas suas associações e comunidades.
Sendo a questão acima referida, um processo deliberado para influenciar as acções dos decisores, com vista a conseguir uma mudança social e torná-la visível, serviu para todos nós, participantes do seminário, clarificar as ideias e mudar de opinião em relação a este assunto. Permitiu-nos ainda, ter um melhor esclarecimento acerca da definição e importância do uso do lóbi.
Ao longo do dia ficamos a perceber melhor através das explicações e dicas, as técnicas e momentos adquados para que se faça lóbi e ter por fim último uma transformação social.

Descendentes de imigrantes que hoje são exemplos.
Antes da hora do almoço tivemos a visita do Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Laurentino Dias, que ainda nos brindou com dois convidados surpresa também descendentes de imigrantes e que hoje são conhecidos nacional e internacionalmente: Nelson Évora, campeão mundial de triplo salto e José Reis medalha de bronze nos mundiais de Kickbox.
Os dois jovens desportistas, que agora servem de exemplos para muitos jovens descendentes e não só, dizem que apesar dos títulos que ganharam levam a vida normalmente e pretendem dar incentivos à aqueles que lutam para uma integração melhor.

Na caminhada para a construção das pontes

Não há futuro sem perdão
O segundo dia do encontro foi de partilha de histórias e de incentivos para que continuemos a desempenhar o papel de facilitadores para uma integração a todos os níveis. John e Engela Volmink, vieram da África de Sul falar das suas experiências num país que praticamente até hoje os seus cidadãos lutam por uma melhor integração. Falaram ainda sobre o que faz um líder baseando-se na vida de Nelson Mandela. Referiram ainda quais as características que um lider deve ter para poder guiar os seus seguidores.
As palavras como a responsabilidade e o perdão foram repetidas pelo casal inúmeras vezes e confesso que me fizeram repensar sobre muitos aspectos da minha vida.
O último dia foi de grande aquisição de conhecimentos através da professora e investigadora do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica, Mónica Dias. Trouxe para a mesa o tema da construção da paz, da sua teoria à prática: A paz só é possível se houver uma construção mental e consciencialização do outro como projecção de mim.
O encontro foi encerrado pelo Alto- Comissário Dr. Rui Marques que nos deixou muitas mensagens: Construir pontes, isto é, sermos pontífices para unir nações e comunidades mas sem esquecer as setes regras que são a base para esta batalha, e nunca pensar sequer em desistir, desanimar e ou perder as esperanças.
Mas acima de tudo este seminário serviu mais uma vez para partilharmos histórias e experiências que vamos ganhando ao longo dos trabalhos que temos desempenhados nas nossas comunidades e associações e sobretudo reflectirmos sobre o que poderiamos fazer para uma melhor adaptação e aceitação dos descendentes e imigrantes que escolheram este país para emigrar e residir.

Texto:Surraia Correia
Fotos: Surraia Correia

Panos tradicionais expostos no Museu da Etnologia


Está exposta até o final de Dezembro no Museu Nacional da Etnologia a exposição através dos Panos. Trata-se de uma colecção da Panaria guineense e caboverdiana recolhida por António Carreira e Rogado Quintino nas decádas de 60 e 70.
Esta exposição revela os diversos padrões que os panos podem assumir para dar um pouco de estética. Geralmente costumam ser figuras geométricas como os triângulos, losangos e quadrados entre outras designações derivando do seu contexto de origem. Assim sendo,para os caboverdianos existe o pano di terra que é de origem, pano di obra que revela um padrão complexo e minucioso e ainda o pano bicho relativos aos animais. As coisas também se diferem um pouco no caso dos guineenses. Existe o pano dエobra, bicho e pente. Esse último é feito em tear tradicional.
Para que a cultura dos panos não caia no esquecimento, têm surgido sucessivas medidas por parte dos governos na tentativa de recuperar a tecelagem tradicional. Pretendem ainda dar um novo olhar sobre os panos e daí a criaçao de um atelier ao lado da exposição onde se possa trabalhar um pouco as junções das cores e das figuras.
Ao longo das peças expostas é possível constactar que os panos eram tingidos com pigmentos vegetais como o índigo e o anil que podem dar origem ao azul.
Com o passar dos tempos a tradição começa a perder-se. Actualmente podemos encontrar panos de algodão de produção industrial ou fio sintético importados de outros países e são mais acessíveis em termos de custos e fáceis de trabalhar.
Muitos desses panos de confecção industrial são adquiridas na Guiné Conakry, Senegal, Gâmbia, Indónesia,Holanda e Portugal o que demonstra que a tradição já não é o que era. Ou seja, os panos já não são feitos em teares tradicionais.
Juntamente com a exposição está o trabalho da artista plástica Manuela Jardim que utiliza materiais reciclados fazendo uma grande mistura de cores e figuras.

Texto: Surraia Correia
Foto: Gentilmente cedida pelo Museu Nacional da Etnologia

Reunião EuroMed reforça relações na área da imigração

No âmbito da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, durante os dias 18 e 19 de Novembro, decorreu em Albufeira, no Algarve, a primeira reunião Ministerial EuroMed sobre Migrações. As conclusões desta reunião, presidida pelo ministro da Administração Interna, Rui Pereira, reflectem a vontade e o empenho de trabalhar em conjunto para a construção de uma parceria para o bem de todos. Foi ainda abordada a temática das migrações no contexto euromediterrânico nas vertentes da migração e do desenvolvimento e imigração legal e ilegal.
Sobre estas três áreas, os ministros dos países da União Europeia e dos estados mediterrânicos -Argélia, Egipto, Autoridade Palestiniana, Israel, Líbano, Jordânia, Marrocos e Tunísia - acordaram tomar medidas e acções concretas. Em relação à imigração legal foram aprovados projectos de criação de um grupo de trabalho sobre matérias de migração no mercado de trabalho, de modo a avaliar as oportunidades laborais para os imigrantes em proveito dos países de destino e de origem e a promoção de cursos de formação profissional e linguística para os imigrantes. Para a sua implementação, a União Europeía disponibilizou cinco milhões de euros.
No campo da migração e desenvolvimento está prevista a criação de um sítio euromediterrânico que disponibilizará toda a informação para facilitar as remessas dos imigrantes, planeou-se ainda estudar a possibilidade de apoiar financeiramente os imigrantes legais na Europa, com vista ao co-financiamento dos seus projectos de investimento nos países de origem.
Relativamente à imigração ilegal, ficou definido que é importante promover a cooperação e o reforço das capacidades através de trocas de experiências, boas práticas e formação regular e também a promoção de projectos que visem a melhoria dos padrões de segurança dos documentos de identidade e de viagem.

Texto: Surraia Correia